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Apresentação com fragmento
12Fev2008 23:10:00
Publicado por: Alfredo

Melancolia a três chaves

Eu sabia que deus a dava. Três ou quatro homens a aspergir o quintal de malefícios divinos. Joana à janela esperando o “senhor” dos móveis.
Ernesto, sereno, espreitando a sua punheta, enquanto lia o jornal. 

Sorumbático como um tinhoso numa casa de banho pública, eu vislumbrava os próximos anos. Duzentas mãos, queira deus, a agarrar o meu sonho. Um tipo inteligente a sair da escola, uma mão dormente de trabalho a coscuvilhar o seu saquito púbico. E a mãe, outra toda, agora um sinal da cruz na amálgama do olhar. Que brutus horizontes. E o que mais gosto? Livros, cabeçadas, filmes, desgarradas, álcool como nunca, e sombras na bancada desenhadas com baba da infância. Em trenós a volúpia dos anjos. Tempos paralelos, dizia a minha amiga psicóloga. Faz o que gostas, oh, mas gosto tantas… silêncio, em tudo igual ao murmúrio, e jogos, tudo normal, enquanto a esperava na praceta ou no altar do caminho-de-ferro.

Aí, nas bagunças da cidade corria logo a um tasquinho de vontades alheias onde me sentia anormalmente próximo, sem olvidar as volúpias com lama a escorrer do púlpito, sim, também o sonhei algures antes de um dia de praia. Uma vez fiquei com Elisabete nos preâmbulos de um sonho antes mesmo de um mês na praia, um sonho moreno desses dias morenos. Sem apesar.

Apesar de tudo vivo. Vivo cinquenta anos para a frente e para atrás quase dois mil, com os ossos a ranger e uma vontade de beijar-te, que ultrapassa a razão, a dar a dar. Sabicholas, ainda arremeti um sinal com o corpo todo na penumbra mais à mão.

Não deu. Quedei-me em cima do teu olhar.

Um fragmento apresentação

continua algures...


 



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