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Uma esmolinha para a cascatinha
04Mar2008 23:00:00
Publicado por: Alfredo

Às vezes, não raro, apetece-me partir os cornos a alguém. Não o faço só porque sim. Mas apetece quando ouvimos falar da Escola, com letra grande, como se ela só existisse agora. Desta que temos, conheço-a bem. É igual à outra. Só que a malta estava habituada a subir às árvores, ir à fruta, jogar ao peão, correr atrás das gajas e elas atrás, com tempo para piscinas na rua direita, andar à porrada com os gajos de Barcelinhos, e ainda, ler uns livros do pai, do irmão, do amigo, do vizinho, com música a rodos e mais uns copitos, depois de descer das árvores.

A primeira vez que fui à lampreia (com um pau com uma vareta na ponta) foi no intervalo da escola. Comia figos e castanhas e ia buscar o tabaco português suave para a professora de geografia (antes desta enlouquecer). Fez bem. Não tem que aturar estas merdas.

A escola não é especial, faz parte, como a bola, o rio, um lanche no Salsicha (que também quer queira ou não é avaliado), uma romaria, noites inteiras sem dormir a pensar no porte da bezerra ou à porta de uma máquina de cervejas. É fodido, como qualquer outra coisa que não nos apetece.

Passei por várias investidas reformistas, mais ou menos baseadas em modelos externos. Conheço a sua evolução, porque esta não se pode dissociar da restante sociedade e conheço (bem) professores e alunos, sem contar com duas Universidades em décadas diferentes. E sem contar com a gangrena das academias a talho de foice vomitando doutores da mula russa.

A páginas tantas ouço, de forma doidivanas e se calhar inocente, que se facilita isto, e aquilo, e mais as estatísticas...para aqui sempre chamadas.

Nesse campo até concordaria se tal primasse por novidade. Não é. É mais do mesmo, comidinha para a rapinice da OCDE ou UE ou a porra, mas não é novo. Faz parte da mesma ânsia de agradar e copiar os outros de atinar modelos e importa-los. Só que agora alicerça-se no pseudo modernismo dos pais, na psicologia ao desbarato, na hipersensibilidade/actividade, dos putos(?) no “os meus não são menos que os outros” e no distúrbio, hoje natural, de confundir liberdade e igualdade com pré cozinhados e, não mal menor, na ignorância mais ilusória, de quem a sabe toda.

 O que se está a estufar são uns tipos fechados em escolas, onde supostamente se avaliam os professores e, onde supostamente, os alunos são avaliados, no pressuposto bem antigo, de que ninguém nasce burro. Pois, pois, e uns quantos reservatórios de mão-de-obra barata, mais uma vez, supostamente qualificada, aquecida em lume brando para repasto de nulidades.

Já dizia a minha avó: quando é grande a esmola até o santo desconfia



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