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Glockenwise - Calor - 19Set2020 19:26:00


Pop refrescante (apesar de se sentir o calor) em portugûes...

Fonte: http://anjoinutil.blogspot.com/2020/09/glockenwise-calor_19.html


Não temos memória. Ainda bem. Apenas saudade: das festas, do convívio entre cúmplices, do silêncio irmão de todas as coisas. Até do vazio. Saudades do vazio é a praia (deixem passar) da liberdade. Isto não tem nada de poético, apenas não se restringe (é uma recusa sólida) ao plano jurídico, político, médico ou social. Todos vamos morrer. E deveríamos começar por morrer uns com os outros, porque isso seria viver. Sobreviver, apenas sobreviver, é uma coisa que podemos facilmente aprender com os nossos antepassados. Mas para isso seria necessário conhecer o nosso país. Custa. Lá isso custa...

(*Ruy Belo)


Fonte: http://anjoinutil.blogspot.com/2020/09/so-sei-que-tinha-o-poder-duma-crianca.html




A origem das espécies - 31Ago2020 10:18:00

Na ignorância antiga, chamemos-lhe assim, os que eram ignorantes queriam que os filhos deixassem de o ser. Havia a consciência da ignorância ser má. Hoje há uma ignorância agressiva, falsamente igualitária e é uma das razões porque cresce a pseudociência. Cresce a pseudociência, o desprezo pela privacidade, pelas mediações, pelo jornalismo ? analisar um facto não em bruto mas mediado por um saber que lhe dá contexto. Estão contra a mediação do saber académico. (...) Como se pode ser melhor preparado sem ler? Há gente que faz cursos universitários sem ler. Dizem que lêem no computador. Uma treta. Ainda estou à espera que alguém leia Guerra e Paz no computador ou num telemóvel. Há muita complacência, muita cedência à ignorância e os resultados estão à vista. O aumento de partos em casa com más condições, o mito do nascimento natural com mortes, não tomar vacinas ou medicamentos, a substituição de tratamentos por mezinhas, ir ao curandeiro em vez de ir ao médico.

(diz JPP aqui)


Fonte: http://anjoinutil.blogspot.com/2020/08/a-origem-das-especies.html

Uma obra extra-humana - 18Ago2020 19:00:00

Céu e inferno são concepções sociais para uso da plebe - e eu pertenço à classe média. Rezo, é verdade, a Nossa Senhora das Dores: porque, assim como pedi o favor do senhor doutor, para passar no meu acto; assim como, para obter os meus vinte mil réis, implorei a benevolência do senhor deputado, igualmente para me subtrair à tísica, à navalha de ponta, à febre que vem da sarjeta, à casca de laranja escorregadia onde se quebra a perna, a outros males públicos, necessito de uma protecção extra- humana. 


Fonte: http://anjoinutil.blogspot.com/2020/08/releitura-de-uma-obra-prima.html


Numa feira perto de si (II) - 17Ago2020 15:16:00

Uma edição Guerra e Paz (2006) candidata a uma das piores capas de sempre. Nem se consegue perceber o nome do autor. Bom, encontra-se por aí, mesmo sem óculos, numa dessas feiras perdidas nos claustros do esquecimento humano. Com máscara e tudo. Em análise...


Fonte: http://anjoinutil.blogspot.com/2020/08/numa-feira-perto-de-si-ii.html

Numa feira perto de si - 17Ago2020 15:08:00

Cerca de trinta e poucas páginas lidas de um trago. 



Fonte: http://anjoinutil.blogspot.com/2020/08/numa-feira-perto-de-si.html

Coisas eternas - 15Ago2020 19:36:00


Viagem curta de carro para casa, esta música na rádio (numa versão mais hard?), o volume cada vez mais alto, a puxar um sentimento, recordações à barda. Deixem lá o tempo passar?



Fonte: http://anjoinutil.blogspot.com/2020/08/coisas-eternas.html

Fascismos - 14Ago2020 19:28:00


Os ecologistas (ambientalistas?) a reboque de uma greta de emergência.

Os camisas bem passadas (vários padrões), de marca: não existe comporta que os detenha.

O feminismo (a outra forma de machismo) que oferece várias faces, consoante a bolsa: à espera de uma boa devassa.

O lápis azul (e de outras cores) que tinge os livros de taxonomias: índex estimulante de fogueiras.

[As modas (não exclui os anteriores)].

Os bancos, se por lá andarem banqueiros.

A foice, se associada a um martelo: uma festa.

As dietas, se associadas a dietistas.

O politicamente correcto, mesmo escrito incorrectamente.

A questão da raça, da etnia, do clube e de outros brinquedos.

A ausência de leitura, se acompanhada de ignorância.

A academia, se acompanhada de ausência de leitura (ler acima). 

O medo, se este fizer todo o sentido.

O libertino, acompanhado de alguma fé.

A pobreza, se desprovida de dúvida.

A humanidade, enquanto manada: serena.

A falta (ou será ausência?) de humor. 

(...)

Fonte: http://anjoinutil.blogspot.com/2020/08/fascismo-subsidios.html


Passa-se, a acção, no fim do mundo, que é (quase) o mesmo que escrever Gronelândia. O nosso mundo é um eterno desconhecido, apesar de tudo. Não se trata de liga dos calmeirões em policiais, mas não é um bem-intencionado de trazer por casa. Se estivesse bem disposto escreveria thriller em recuperação após tortura. É assim o agente Maratse quando (lá calha) sente o cheiro da sua própria "carne esturricada, com o chinês a apertar-lhe as pontas daquele instrumento de tortura improvisado no peito, nas pernas e nos testículos". Mas o chinês nem sequer é para aqui chamado. A sério...


Fonte: http://anjoinutil.blogspot.com/2020/08/mais-um-policial-que-veio-do-frio.html


(11/08/2020)

(Nota: continua o pó a tingir o bairro de cinzento rato)


Fonte: http://anjoinutil.blogspot.com/2020/08/a-vida-passar-por-um-canudo-actualizacao.html

Há Julhos assim - 28Jul2020 14:18:00


Quarenta anos conta o álbum "Closer" dos Joy Division (saiu a 18 de Julho de 1980).
Agora vou até ali e já volto...

Fonte: http://anjoinutil.blogspot.com/2020/07/ha-julhos-assim.html

(27/07/2020)

As obras continuam. Rodeiam-nos. O barulho e a poeira desconfinam. Recentemente ? as boas práticas do planeamento dão nisto ? teve de ser derrubado parte do muro que rodeava a superfície comercial de fast-food. Sucede que esse muro havia sido construído no início da obra. Por distração, digamos assim, parece que estava mal localizado. Talvez um pouco à frente do previsto, talvez faltasse um passeio que o ladeasse (isto é tudo sussurrado por aí), talvez pela luta do Braga pelo terceiro lugar, não o saberemos nunca, o muro teve de ser derrubado, acompanhado por uma fuga de gás, bombeiros aparecerem no local, trânsito cortado, ora condicionado. Construção de um novo muro, entre risos dos transeuntes. Mais poeira. Mais barulho. A juntar ao restante. Trânsito condicionado. Calor. Não sei se leram ?O Estrangeiro? de Camus? O melhor é não lerem então. Não vá o diabo tecê-las.



Fonte: http://anjoinutil.blogspot.com/2020/07/a-vida-passar-por-um-canudo-actualizacao_27.html


Porque, com o correr do tempo, na altura em que os poderes desconhecidos deixavam o mundo à vontade, sem darem sinais de vida, tornei-me ateu. 



Fonte: http://anjoinutil.blogspot.com/2020/07/e-vos-anjos-o-que-dizeis-do-meu.html


(13/07/2020)

(Nota: a destruição de parte do muro que rodeava o limite exterior da cadeia de fast-food anuncia um planeamento que nos recorda o rame-rame do costume. Ficamos à espera do filme relativo aos  acessos.) 



Fonte: http://anjoinutil.blogspot.com/2020/07/a-vida-passar-por-um-canudo-actualizacao.html


O monarca das sombras - 06Jul2020 16:15:00
O Monarca das Sombras, Javier Cercas - Assírio Alvim

Porque o passado é um poço insondável em cujo negrume só chegamos a perceber centelhas de verdade, e de Manuel Mena e da sua história o que sabemos é infinitamente  menos do que aquilo que ignoramos. 


Fonte: http://anjoinutil.blogspot.com/2020/07/o-monarca-das-sombras.html



(01/07/2020)

(01/07/2020)

Finalmente, a confirmação da cadeia de fast-food que entroncará nas nossas dores diárias. Desconfinar assim é outra coisa? 


Fonte: http://anjoinutil.blogspot.com/2020/07/a-vida-passar-por-um-canudo.html

Incapaz para a morte - 30Jun2020 19:29:00
BNP - Bibliografia Nacional Portuguesa

Sentia-me bem, estava novamente em casa. Perdêramos tudo: posição, nome e posto, habitação, dinheiro e valores, passado, presente e futuro. Todas as manhãs ao acordar, e todas as noites ao deitar, amaldiçoávamos a morte, que nos convidara, em vão, para o seu sumptuoso festim. E cada um de nós invejava os que tinham caído, pois descansavam debaixo da terra e dos seus restos mortais nasceriam violetas na Primavera seguinte, enquanto nós tínhamos voltado a casa incuravelmente desesperados, estéreis, tolhidos - uma geração destinada à morte, mas por ela repudiada. O veredicto do seu conselho de admissão era irrevogável e final: "Incapaz para a morte.".  



Fonte: http://anjoinutil.blogspot.com/2020/06/incapaz-para-morte.html