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Helena Feital* 

 

Depois da visita à Fundação José Saramago

 

Sentia-me como num palco vazio de emoções. Como começar ao fim de tanto tempo? E de repente evoco as pessoas, os seus ideais, os pensamentos, memórias e obras que, de tão fortes, rompem espaço no meu pensamento e já me pertencem.

Estou mesmo ali há alguns meses atrás, na nossa visita à Fundação José Saramago.

Tão perto do rio Tejo, uma pequena oliveira dá-nos as boas-vindas à célebre ?Casa dos Bicos?. À entrada esperava-nos uma surpresa arqueológica de várias escavações: este é o museu que nos dá a conhecer diversas fases da evolução desta parcela ribeirinha, entre o período romano e a atualidade. Sim, aqui descobrimos pormenores, daquela mítica cidade romana a ?Olissipo?.

No traçado da muralha medieval que integra neste local, a antiga muralha romana. Ao longo dos tempos, várias alterações são-nos dadas através dos materiais e métodos de construção que nos trazem até aos dias de hoje.

Dessas intervenções arqueológicas, destacamos os objetos usados diariamente na ?Casa dos Bicos?, antes do terramoto de 1755 e que estão em exposição.

E agora sim, com o nosso guia Dr. Sérgio Letria, confesso admirador e profundo conhecedor da obra de José Saramago, vamos desvendar o mundo do nosso Prémio Nobel da Literatura e a sua Exposição Permanente: A Semente e os Frutos.

Como num flash vi imediatamente a origem deste título: A semente era a escrita mágica de um homem polémico, terno e sarcástico, demolidor e pertinaz nas suas críticas à moral e à ordem estabelecida pelo poder vigente. Não! Aos governos opressores de todo o mundo. Não! À pobreza. Não! Ao servilismo. Não! Ao clero hermético e sem espirito de luz humanista.

Sim! À mão amiga estendida a todos os trabalhadores injustiçados. Sim! Às regalias sociais e à igualdade.

A intervenção ávida de José Saramago em defesa da liberdade dos direitos e da inclusão social, tinha por dever construir uma realidade mais justa, mais humana. E foi essa a mensagem que José Saramago nos deixou na sua obra incomparável?Os Frutos.

Diante dos meus olhos inquietos pelo saber, veio a descoberta de uma infinidade de livros e documentos que englobavam desde a Literatura à Poesia, do Teatro ao Conto, das Crónicas aos Diários e Ensaios, não esquecendo os Livros Infantojuvenis. Eram 57 títulos ?falados?, a maioria deles, em 40 línguas, cujo sucesso lhe fizeram conquistar o Prémio Nobel da Literatura em 1998. Era a dimensão universal do seu talento e do seu trabalho.

Agora, parece-me que é chegado o momento de dar vida ao subtítulo desta crónica??O ano da morte de Ricardo Reis?. Porquê este e não outro livro? Porque para mim ficou, desde a primeira página, a descoberta da admiração e do interesse indelével, quase ?pele com pele?, de José Saramago por esse génio que é Fernando Pessoa. E isso emudeceu-me.

E quanto mais páginas eu relia, mais agarrada ficava àquela ?personagem? de Fernando Pessoa ? um dos seus 3 heterónimos ? Ricardo Reis, o poeta dos deuses. De quem Fernando Pessoa não havia escrito o ano da sua morte: vivia exilado no Brasil?

 

??E ali estava Ricardo Reis, encostado a um candeeiro no Alto da Calçada do Combro, lendo num jornal a notícia Fernando Pessoa o poeta extraordinário da Mensagem, poema de exaltação nacional dos mais belos que se têm escrito, foi ontem a enterrar, surpreendeu-o a morte num leito cristão do Hospital de S. Luís, no sábado à noite, na poesia não era só ele Fernando Pessoa, ele era também Álvaro de Campos e Alberto Caeiro e Ricardo Reis, pronto já cá faltava o erro, a desatenção, o escrever por ouvir dizer, quando muito bem sabemos nós que Ricardo Reis é sim este homem que está lendo o jornal com os seus próprios olhos abertos e bem vivos?. Mais à frente li que ?parece que Lisboa é feita de algodão pingando|?|Ricardo Reis meteu a chave na fechadura, abriu e?sentado

no sofá estava um homem, reconheceu-o imediatamente?era Fernando Pessoa que disse, Olá.?

 

Fernando Pessoa que tinha ido a sepultar na véspera, como era possível? Lembrei-me de um pensamento de Fernando Pessoa ?nós quando sonhamos é que somos completamente livres, atingimos o conhecimento, a verdade e o absoluto.? Porque ?a mente espiritualiza a matéria!?

 

E se?e se eu, naquele momento, estivesse passando pelo Martinho da Arcada e os visse, Fernando Pessoa e José Saramago sentados naquela mesa de Fernando Pessoa a conversarem?

- Então você conseguiu, com a sua obra ganhar o Prémio Nobel da Literatura. Grande Feito! 

- Você também o teria merecido e, ganho, se tivesse vivido mais tempo.

- Talvez, realmente a improbabilidade do espirito eterniza a obra. Mas, você sabe, eu cheguei a privar com o nosso outro Prémio Nobel.

- O Dr. Egas Moniz?

- Sim. Era um espírito enorme e maravilhoso, um pessimista filosófico de muito grande categoria. O seu conhecimento científico era magnífico.

- As palavras proferidas pelo coração não têm língua que as articule, retêm-nas um nó na garganta e só nos olhos é que se podem ler.

- Você tem razão. Mas diga-me, que ideia tão ardilosa foi essa de transformar a deusa Lídia numa mulher? O desejo carnal de Ricardo Reis sucumbiu-lhe.

- Você gostou?

- Claro. Ela apareceu numa época em que Ricardo Reis estava mais vulnerável. E perdido.

- E que me diz daquele final?

- Aquele em que o meu tempo de estar na terra acabava aqui. Já tinham passado os meus nove meses de saudade.

 

- ?Então vamos, disse Fernando Pessoa. Vamos, disse Ricardo Reis. O Adamastor não se voltou para ver, parecia-lhe que desta vez ia ser capaz de dar o grande grito. Aqui, onde o mar se acabou e a terra espera.?

No infinito da razão e do sonho, eles encontraram-se. E terão todo o tempo do Além para eternizar a palavra ?sendo espetadores do espetáculo do mundo?.

Viajei e voltei. Estou novamente aqui na Fundação Saramago a ver um dos últimos filmes realizados em Lanzarote. Entrei novamente no sonho?Este foi o amor-paixão que se sublimou na admiração mútua, sente-se um amor terno, cúmplice, que é muito mais intenso e duradouro do que o amor carnal, por isso perene.

No silêncio que nasce nas palavras profundas, no agitar do vento, talvez agreste, talvez distante. No partilhar a vida, uma casa, uma paisagem imensa de rochas vulcânicas, onde se reflete a vida de dois seres, num abraço em consonância com o universo.

Se eu pudesse acabar como me dita o coração, falaria de amor.

 

 

 

 

As Palavras de Amor

 

Esqueçamos as palavras, as palavras,

As ternas, caprichosas, violentas,

As suaves de mel, as obscenas,

As de febre, as famintas e sedentas.

 

Deixemos que o silêncio dê sentido

Ao pulsar do meu sangue no teu ventre

Que palavras ou discursos poderia

Dizer amar na língua de semente?

José Saramago

 

Sossega Coração

 

Sossega, coração! Não desesperes!

Talvez um dia, para além dos dias,

Encontres o que queres porque o queres.

Então, livre de falsas nostalgias,

Atingirás a perfeição de seres.

 

Mas pobre sonho o que quer só não tê-lo!

Pobre esperança a de existir somente!

Como quem passa a mão pelo cabelo

E em si mesmo se sente diferente,

Como faz mal ao sonho o concebê-lo!

 

Sossega, coração, contudo! Dorme!

O sossego não quer razão nem causa.

Quer só a noite plácida e enorme,

A grande, universal, solene pausa

Antes que tudo em tudo se transforme.

Fernando Pessoa

 

Agora o meu espírito respira como em ação de graças. Foram momentos vividos muito intensamente. Oxalá eles tenham compreendido e desculpado a minha intromissão. E não esqueço que?

?A nossa grande tarefa está em conseguirmo-nos tornar mais humanos.?

 

* aluna da Universidade Sénior de Campo de Ourique

 

 

 

 

 



Fonte: http://mundopessoa.blogs.sapo.pt/e-o-ano-da-morte-de-ricardo-reis-824675

Helena Feital *

 

Toda a arte, nas suas várias vertentes, seria para Almada uma parte do espectáculo.

Do simples papel para escrever e desenhar, ou até mesmo pintar. Do gesso à tela. Da pedra bruta à delicadeza dos Vitrais. Da dança ao teatro. Do cinema à televisão (a sua última intervenção em público, foi no 1.º programa do Zip-Zip). E o espectáculo aconteceu!

Tudo em Almada era uma explosão de modernidade e espectáculo.

Cada atitude demonstrava a sua total entrega nos momentos difíceis que trespassaram a sua vida. Sem se prender a críticas nem rejeições, Almada demonstrou ser um homem de carácter que persistia polémico e combativo na defesa da modernidade e dos seus ideais artísticos. Por vezes, pegava em trabalhos que já tinha realizado e dava-lhes outra linguagem visual de crescimento intelectual e artístico.

Esta grande exposição de Almada Negreiros na Gulbenkian, apresenta mais de quatrocentas obras (incluindo estudos inéditos e outros quase desconhecidos) e aqui, vamos à descoberta da faceta experimental e contraditória da modernidade e até do cubismo.

Almada privou durante toda a sua vida com grandes Artistas. Escritores como Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro. Pintores como Amadeo de Souza-Cardoso, Santa-Rita Pintor e Mário Eloy. E ainda Editores, Músicos, Cenógrafos, Encenadores e Arquitectos, como Pardal Monteiro, demonstrando a pujança da sua obra artística que catalisou a vanguarda dos anos iniciais de 1910, e se manteve durante quase todo o século XX. Desde muito jovem, Almada dedicou-se ao desenho de humor, publicado em jornais e revistas.

Mas, a sua notoriedade começou com a escrita interventiva ou literária, na qual deu um importante contributo para a dinâmica do grupo ligado à Revista Orpheu.

Foi o rasgar do atavismo das regras rígidas da arte de então. Aqui, nasceu o Futurismo Português.

Com a ?Geração Orpheu? deu-se um passo gigantesco na modernidade ? contraditória, híbrida, experimental e? transformadora. ?O poeta é um transformador?, como disse Fernando Pessoa. As regras foram quebradas!

E Almada, com a sua versatilidade abriu, também, novos horizontes nas artes plásticas como o desenho e a pintura. Na escrita destacam-se o ensaio, a poesia, a dramaturgia e o romance.

Com a morte precoce de Amadeo de Souza-Cardoso e Santa-Rita Pintor, Almada partiu à descoberta de si próprio, sobrepondo-se à segunda e terceira geração dos futuristas.

A contundência das suas intervenções iniciais iria abrandar, cedendo lugar a uma atitude mais lírica e construtiva que abriu caminho para a sua obra plástica e literária da maturidade.

Depois da 1.ª Guerra Mundial, tal como os outros seus colegas de geração, Almada esteve em Paris, onde se sentia desfazado dos companheiros e do meio artístico francês. Dessa curta estadia ficou-lhe a admiração pelo trabalho de Picasso. Mais tarde chegou a residir, durante alguns anos, em Madrid.

Recomendado por alguns artistas, foi convidado pelo Cine São Carlos, a fazer 11 painéis em gesso alusivos à arte cinematográfica. Desse trabalho, restam apenas 2 painéis que tiveram de ser restaurados. Para sobreviver, Almada foi também bailarino e ator.

Depois do seu regresso a Lisboa, em 1931, voltou também Mário Eloy. E ambos estabeleceram contacto. Ele foi um dos mais importantes contributos para a evolução, no sentido da cor, de Almada Negreiros. Tinta espessa e consistente em Eloy e mais suave em Almada. Decisivo para a sua evolução formal e temática, foi o seu casamento com Sarah Afonso em 1934. Almada pintará o duplo retrato onde aparecem ambos quase em desenho formal mas, extremamente revelador, das suas diferentes personalidades. Em 1935 Almada celebra o nascimento do seu filho José no quadro ?Maternidade? ? é a revelação de uma maturidade cromática, nunca antes revelada em Almada. Porque dentro destas imagens nasceu o amor.

Ser ator, cenógrafo, ou pintor dos cenários para a peça do S. Carlos foram outras das realidades dominadas.

Depois, que dizer? duas tapeçarias muito belas para Portalegre. E mais tarde uma tapeçaria para a exposição de Lausanne. Sem se fixar num domínio único e preciso, o que emerge é sobretudo a imagem do artista total, inclassificável. ?Onde tudo é superior à soma das partes.?

Que dizer dos murais das Gares? Apenas que a decoração é a alma da arquitectura. É o corpo daquela imensa vibração que ganha força na capacidade de transposição mítica do destino e da história da cidade.

Na Gare da Rocha do Conde de Óbidos, o rigor da composição confere-lhe o estatuto de obra-prima da pintura portuguesa.

Em dois trípticos fala-se da partida dos emigrantes e no outro vitral, respira-se alegria no imaginário de um domingo à beira-rio.

A Gare Marítima de Alcântara expressa a ideologia decorativa em dois trípticos. O primeiro com a lenda da Nau Catrineta. No segundo, a vida da Lisboa Ribeirinha. Há ainda duas composições isoladas. Na primeira, uma festa de romaria. A outra, revela a lenda de D. Fuas Roupinho.

Não poso esquecer outra obra ?tridimensional?: o Painel em pedra gravada intitulado ?COMEÇAR? no átrio da Fundação Calouste Gulbenkian. São 4 zonas solidárias na sua composição. Da inteligência do homem, revelam-se os símbolos matemáticos que nos elevam até à alma. No espaço sideral ficam o conhecimento, o desenvolvimento, a determinação. Círculos e quadrados, triângulo e circunferência. E as estrelas de dezasseis pontas. A complexidade de traçados elevam o pensamento até ao infinito do começo de tudo.

Não há como esquecer os vitrais de diversas igrejas: Igreja de Nossa Senhora de Fátima (onde iniciou a sua colaboração com o arquitecto Pardal Monteiro), Igreja de St.º Condestável, em Campo de Ourique, Igreja da Marconi, em Vendas Novas. E por último, celebro a alegria de ter dois génios no mesmo trabalho. Refiro-me aos retratos de Fernando Pessoa no Café Martinho da Arcada. O primeiro pintado em 1954, e o segundo em 1964.

 

retrato almada.jpg

Fig. 1 ? Retrato de Fernando Pessoa, 1954 ? Colecção Museu de Lisboa

 

Demoro-me a ver cada detalhe do primeiro quadro. A atmosfera que me entra no coração é ver que tudo está à medida dos desejos de Fernando Pessoa. Era a sua mesa. Era o seu olhar perdido nas profundezas de todos os seus Eus. Era o abismo que se desvenda no correr da caneta. Mas podia ser um pincel. Porque tu, Fernando Pessoa ganhavas corpo de tinta espessa e vibrante em muitos poemas. Noutras, e sempre na profundidade do teu olhar, arrancavas a fúria do mar, desenhada em cores profundas e raivosas, agitadas, perigosas, como as cores da tristeza de um naufrágio. E ali, já era a paisagem verdejante. Há em ti, uma sinfonia de cores e de sons que evocam o céu, límpido e sereno, como o deslizar do teu pincel. Se preferires, eu digo caneta. Mas tu, que és tantas emoções, tantas paixões, és o pintor das palavras?para sempre. E muitas palavras em telas, ainda estão a voar, na evocação do teu olhar.

Mas, neste momento o meu olhar deteve-se nas revistas em que tu e Almada se descobriram e se deram a conhecer ? no primeiro número 1 da revista Orpheu.

 

O MARINHEIRO

 

Drama estático em um Quadro  

 

Um quarto que é sem dúvida num castelo antigo. (?)

Ao centro ergue-se um caixão com uma donzela, de branco. (?)

A direita, quasi em frente (?) há uma única janella, alta e estreita, dando para onde só se vê, entre dois montes longínquos, um pequeno espaço de mar.

Do lado da janella velam trez donzellas. (?)

É noite e há como que um resto vago de luar.

 

(?) Primeira ? Porque é que me respondestes? ? Pode ser ? Eu não vi navio nenhum pela janella? Desejava ver um e fallei-vos d'elle para não ter pena ?Contae nos agora o que foi que sonhastes á beira mar?

Segunda ? Sonhava de um marinheiro que se houvesse perdido numa ilha longínqua. Nessa ilha havia palmeiras hirtas, poucas, e aves vagas passavam por ellas? Não vi se alguma vez pousavam.

Desde que, naufragado, se salvára, o marinheiro vivia alli? Como elle não tinha meio de voltar a pátria, e cada vez que se lembrava d'ella sofria, poz-se a sonhar uma pátria que nunca tivesse tido; poz-se a fazer sua uma outra pátria, uma outra espécie de paiz, com outras espécies de paysagens, e outra gente, e das janelas ? Cada hora elle construía em sonho esta falsa pátria, e elle nunca deixava de sonhar, de dia á sombra curta das grandes palmeiras, que se recortava, orlada de bicos, no chão areento e quente; de noite, estendido na praia, de costas, e não reparando nas estrellas.

 Primeira ? Não ter havido uma árvore que mosqueasse sobre as minhas mãos estendidas a sombra de um sonho como esse!...

Terceira ? Deixae-a fallar?Não a interrompaes?Ella conhece palavras que as sereias lhe ensinaram?Adormeço para a poder escutar?Dizei, minha irmã, dizei?Meu coração doe-me de não ter sido vós quando sonháveis à beira mar?

 

(?)

 

11/12 Outubro, 1913.

 

Fernando Pessôa

 

FRIZOS

 

Do desenhador

 

JOSÉ DE ALMADA-NEGREIROS

 

CANÇÂO DA SAUDADE

 

Se eu fosse cego amava toda a gente.

Não é por ti que dormes em meus braços que sinto amor. Eu amo a minha irmã gemea que nasceu sem vida, e amo-a a fantazia-la viva na minha edade.

Tu, meu amor, que nome é o teu? Dize onde vives, dize onde móras, dize se vives ou se já nasceste.

Eu amo aquella mão branca dependurada da amurada da galé que partia em busca de outras galés perdidas em mares longuissimos.

Eu amo um sorriso que julgo ter visto em luz do fim-do-dia por entre as gentes apressadas.

Eu amo aquellas mulheres formosas que indifferentes passaram a meu lado e nunca mais os meus olhos pararam nelas.

Eu amo os cemiterios ? as lágens são espessas vidraças transparentes, e eu vejo deitadas em leitos florídos virgens núas, mulheres bellas rindo-se para mim.

Eu amo a noite, porque na luz fugida as silhuetas indecisas das mulheres são como as silhuetas indecisas das mulheres que vivem em meus sonhos. Eu amo a lua do lado que eu nunca vi.

Se eu fosse cego amava toda a gente.

 

OPIÁRIO

      E

ODE TRIUNFAL

 

DUAS COMPOSIÇÕES DE

ALVARO DE CAMPOS

      PUBLICADAS POR

FERNANDO PESSOA

 

 

 

 

 

OPIÁRIO

 

                                                                    Ao Senhor Mário de Sá-Carneiro

 

É antes do ópio que a minh?alma é doente.

Sentir a vida convalesce e estióla

E eu vou buscar ao ópio que consóla

Um Oriente ao oriente do Oriente.

 

Esta vida de bórdo ha-de matar-me.

São dias só de febre na cabêça

E, por mais que procure até que adoêça,

Já não encontro a móla pra adaptar-me.

 

Em paradoxo e incompetência astral

Eu vivo a vincos d'ouro a minha vida,

Onda onde o pundonôr é uma descida

E os próprios gosos ganglios do meu mal.

 

É por um mecanismo de desastres,

Uma engrenagem com volantes falsos,

Que passo entre visões de cadafalsos

Num jardim onde ha flores no ar, sem hastes.

 

Vou cambaleando através do lavôr

Duma vida-interior de renda e láca.

Tenho a impressão de ter em casa a fáca

Com que foi degolado o Precursôr.

 

Ando expiando um crime numa mála,

Que um avô meu cometeu por requinte.

Tenho os nervos na fôrca, vinte a vinte,

E caí no ópio como numa vála.

 

(?)

 

E afinal o que quero é fé, é calma,

E não ter estas sensações confusas.

Deus que acabe com isto! Abra as eclusas ?

E basta de comedias na minh?alma!

 

                                                  1914, Março.                       

                                                  No Canal de Suez, a bordo.

 

 

 

 

 

ODE TRIUNFAL

 

Á dolorosa luz das grandes lâmpadas eléctricas da fábrica

Tenho febre e escrevo.

Escrevo rangendo os dentes, féra para a beleza disto,

Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos.

 

Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r-r eterno!

Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria!

Em fúria fóra e dentro de mim,

Por todos os meus nervos dissecados fóra,

Por todas as papilas fóra de tudo com que eu sinto!

Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos modernos,

De vos ouvir demasiadamente de perto,

E arde-me a cabeça de vos querer cantar com um excesso

De expressão de todas as minhas sensações,

Com um excesso contemporâneo de vós, ó máquinas!

 

Em febre e olhando os motores como a uma Natureza tropical ?

Grandes trópicos humanos de ferro e fôgo e fôrça ?

Canto, e canto o presente, e também o passado e o futuro,

Porque o presente é todo o passado e todo o futuro

E ha Platão e Vergilio dentro das máquinas e das luzes eléctricas

Só porque houve outrora e foram humanos Vergilio e Platão,

E pedaços do Alexandre Magno do século talvez cincoenta,

Átomos que hão de ir ter febre para o cérebro do Ésquilo do século cem,

Andam por estas correias de transmissão e por estes êmbolos e por estes volantes,

Rugindo, rangendo, ciciando, estrugindo, ferreando,

Fazendo-me um acesso de carícias ao corpo numa só carícia à alma.

 

(?)

 

Hup-lá, hup-lá, hup-lá-hô, hup-lá!

Hé-la! He-hô! H-o-o-o-o!

Z-z-z-z-z-z-z-z-z-z-z-z!

 

Ah não ser eu toda a gente e toda a parte!

 

                        Londres, 1914 ? Junho.

                              Alvaro de Campos.

 

E depois de Vivenciar esta miríade de sentidos que me abalavam a alma, só posso agradecer-vos pela magnitude destes momentos inesquecíveis.

 

Fernando Pessoa ? O mito é o nada que é tudo.

 

Almada Negreiros ? a condição humana partilhada entre o nada da realidade e o tudo dos sonhos.

 

Lisboa, 1 de maio, 2017

 

Helena Feital

 



Fonte: http://mundopessoa.blogs.sapo.pt/almada-negreiros-ir-mais-alem-sem-824475

Helena Feital*

 

Fernando Pessoa foi também, na sua grande obra literária, uma mulher chamada Maria José.

Maria José era deficiente: corcunda desde a nascença, sofria de um tipo de reumático que a paralisava. Por isso, só se movimentava em cadeira de rodas. E como se estes males não fossem suficientes para atormentar o seu corpo, estava tuberculosa. Não teria muito tempo de vida?

A única alegria para a sua alma era ver da janela o homem que amava desesperadamente - um serralheiro (o autodidata que gostava de poesia) e que todos os dias passava em frente do seu prédio, às vezes acompanhado por uma mulher loura. Nesses dias, o seu coração solitário sentia uma dor maior, mais profunda.

E foi assim que, um dia, resolveu escrever-lhe uma carta onde abria o seu coração sem medos, nem vergonhas?era um amor que tinha o tamanho do seu desespero, mas que ela nunca lhe enviaria.

Era assim como uma espécie de espelho onde ela o via para todo o sempre. Só ela. Só dela.

Mas, a vida por vezes não segue as nossas vontades e, enigmaticamente, houve um cruzamento de pensamentos. Tão real como um?

 

ENCONTRO À JANELA DA VIDA.  

 

Menina Maria José

 

Desculpe esta carta porque se calhar não é o melhor momento para o fazer, mas se não lhe escrevesse ia arrepender-me. Já ando para pegar numa caneta e ser eu. Verdadeiro e sincero no que escrevo. Há quanto tempo, nem sei!

Vejo-a tantas vezes à janela passando o tempo e sei que conforme os dias, está mais triste, ou mais risonha. Gosto de ver esse sorriso e esse olhar que brilha mais com o entusiasmo.

Como naquele dia em que o gato se pegou à pancada com o cão, lembra-se?

Foi quando o nosso olhar e o nosso riso se encontraram pela primeira vez. E de repente, senti um calor desconhecido no meu peito. Fiquei atarantado, porque nunca tinha sentido tal afecto, por nenhuma mulher.

Gostei da sua cara muito jovem e inocente e ainda mais dos seus olhos lindos e inteligentes, cheios de amor.

Disseram-me que a sua saúde não anda muito bem e que os seus problemas são graves. Peço-lhe, não perca a esperança! Mantenha-se igual nessa ideia de se dar às pessoas.

Porque eu sei que o que vê da sua janela não tem maldade e muito menos a intenção de dizer mal sobre alguém. É a vida para lá disso que os seus olhos procuram constantemente. O carinho.

Não sou homem para lhe dar ilusões de mentira. Isso não é comigo. Mas sou o homem que lhe propõe uma grande amizade. Sou o seu amigo, inteiro e de coração. E a amizade é um sentimento cheio de amor, não acha?

Por isso, sempre que quiser desabafar, o meu ombro amigo está à sua espera. Talvez duma carta sua, quem sabe?

Sei que já me viu com uma rapariga loura, não é assim?

Pois, eu sou um homem que gosta de companhia. Às vezes mal, outras vezes nem dou por isso, mas já amei e ficou comigo o desgosto. Bom, chega de falar de mim.

Já agora, o que me diz de eu a levar através desta carta, até à minha oficina, onde sou serralheiro?

Aqui trabalhamos o ferro que moldamos com o fogo e martelada, após martelada, até conseguirmos dar-lhe a forma que pretendemos. Têm saído daqui obras de que me orgulho. Das nossas mãos surgem lindas varandas de ferro forjado com desenhos arredondados que são a forma de lhes dar vida. Retorcidos, encaracolados, arcos que formam, como diz a minha mãe, ?rendas de ferro?.

Aqui na sua rua, mesmo lá em cima, há um prédio com varandas assim e tem também a porta de madeira onde abriram espaço para pôr vidro e por cima dele, desenhámos uma composição em ferro forjado de que toda a gente gosta.

Chego a pensar que Campo de Ourique vai ter muitos prédios assim que, no futuro, serão considerados obras de arte. O nosso bairro será reconhecido pelo seu gosto à arte e à poesia, grandiosa.

Por agora o meu adeus que não será por muito tempo.

 

Com amizade do seu amigo,

António

Lisboa, 1 de fevereiro, 1933

 

* aluna da Universidade Sénior de Campo de Ourique

 



Fonte: http://mundopessoa.blogs.sapo.pt/carta-do-sr-antonio-a-maria-jose-824109

?E segui o caminho para onde o vento me soprava nas costas? é o verso de Alberto Caeiro que vamos ouvir mais alto no bairro de Campo de Ourique entre 17 e 21 de Março, enquanto decorre a terceira edição da Feira do Livro de Poesia. Desta vez, os editores vêm ao Jardim da Parada mostrar os seus catálogos, com tempo e espaço para pequenas, novas e segundas edições. Na Casa Fernando Pessoa haverá, a acompanhar, sessões de leituras e o concerto de Amélia Muge e Filipe Raposo, em canto de poetas.

Daremos também início ao nosso programa Fixando breve o momento, integrado na programação Lisboa, Capital Ibero-americana de Cultura 2017. Da Colômbia e do México vêm jornalistas-escritores para se juntarem aos de cá em conversa sobre a prosa diária da crónica. Para a mesma geografia trazemos esta sessão do ciclo Sem casas não haveria ruas, uma viagem pelos testemunhos de Carpentier, Rulfo, Cortázar e outros companheiros de luta e de sorte.

 

Seguindo o espírito do momento, fazemos um programa especial sobre Almada Negreiros: a par da exposição da Fundação Gulbenkian que mostra a sua ?maneira de ser moderno?, teremos aqui dois encontros para destacar e debater a sua figura vanguardista.

 

E voltamos, como sempre afinal, à poesia: Poesia e Ciência é um conjunto de sessões que junta escritores e cientistas à procura de elementos partilhados; a poesia volta ao jazz, com o concerto da cantora Tammy Weis sobre textos de Pessoa, e volta ao Teatro D. Maria II com Rosa Maria Martelo e Cláudia R. Sampaio.

 

À Alemanha chega também a poesia portuguesa, levada por Margarida Vale de Gato, Miguel Cardoso e Raquel Nobre Guerra, convidados da Casa Fernando Pessoa para o programa organizado pela Embaixada de Portugal em Berlim para a Feira do Livro de Leipzig.

 

Clara Riso, Directora da Casa Fernando Pessoa 



Fonte: http://mundopessoa.blogs.sapo.pt/poesia-em-marco-cronica-em-abril-824006

Bem-vindos e bom ano! - 09Jan2017 16:44:05

«Entramos com gosto no ano novo com um programa de grande destaque dentro da nossa actividade como Casa pública: o apoio à investigação no desenvolvimento dos Estudos Pessoanos. Faremos mais uma edição do Congresso Internacional Fernando Pessoa, no seguimento das anteriores organizadas pela Casa. Com a participação de 42 especialistas de diferentes países, a Gulbenkian será o nosso espaço de trabalho para um encontro científico aberto a todo o público interessado e às perguntas que quiser colocar. Contamos com estudantes, professores, investigadores, leitores de Pessoa e lançamos o mote: ?Seja eu leitura variada / Para mim mesmo!?.

 

Ainda antes do Congresso, o filósofo e ensaísta José Gil traz à Casa Fernando Pessoa o livro em que regressa à órbita de Pessoa. Depois de títulos seminais como Fernando Pessoa ou a metafísica das sensações, O espaço interior ou O devir-eu de Fernando Pessoa, José Gil apresenta agora Ritmos e Visões numa conversa com o crítico António Guerreiro. Para passarmos à relação da literatura com outros lugares e modos, recebemos o workshop Livro-palco/ palco-livro: se eu vivesse tu morrias. O que faltou dizer ou fazer no espectáculo Se eu vivesse tu morrias, de Miguel Castro Caldas, apresentado em Dezembro na Culturgest, vai ser recuperado neste workshop de restos ou rastos. O espectáculo continua, e voltamos à pergunta de como pode o livro entrar literalmente em cena.

 

As nossas já habituais parcerias transitam também para o novo ano e assim convidámos José Tolentino de Mendonça para ser o poeta de Fevereiro no Clube que organizamos todos os meses com o Teatro D. Maria II; anunciamos em forma de relato a sessão dedicada ao ?craque? Fernando Assis Pacheco no ciclo Sem casas não haveria ruas; e ouvimos o recital da Metropolitana que para esta temporada criou para a Casa Fernando Pessoa um programa à volta da escrita.

 

Bem-vindos e bom ano!

 

Clara Riso · Directora da Casa Fernando Pessoa»

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Fonte: http://mundopessoa.blogs.sapo.pt/bem-vindos-e-bom-ano-823303

Dia Triunfal de Fernando Pessoa - 09Jan2017 16:49:35

Helena Feital* 

 

Sinto que vivemos realidades paralelas: hoje, escrevo novamente sobre ti, Fernando Pessoa, mas, de uma paisagem diferente. Atravessei o tempo!

?E de 2016 fui até 1914. 8 de Março de 1914.

Desse lado do tempo, arrancavas de ti um turbilhão de emoções.

Sim, hoje vais finalmente encontrar ?O meu drama em gente?.

Ao teu lado, na minha pequenez, sinto-me estremecer sobre o peso dessa raiva. Desse desassossego, dessa beleza criadora, desse amar das gentes que habitam em ti.

E ouço o teu pensamento:

?Esta inquietação não me larga. Sinto-me arrastado pelo seu frenesim. É como uma chama que arde dentro de mim? já há tanto tempo!...

Não quero este arame farpado que me rasga as ideias em pequenos pedaços de papel, que vou guardando, na minha arca sagrada. Hoje quero dar-lhes a vida!

São os meus irmãos de alma, irmãos em cada letra escrita com o meu sangue. Os meus 3 heterónimos. Que eu, duma maneira tão entranhada, já lhes sinto o pulsar. E vejo: ALBERTO CAEIRO. O primeiro. O Mestre. Aquele de quem tu dirás:

?Uns agem sobre os homens como o Fogo que queima neles e os deixa nus e reais, próprios e verídicos e esses são os libertadores. Caeiro é dessa raça. Caeiro teve essa força?.

Naquele momento o êxtase começou?

O GUARDADOR DE REBANHOS

?Eu nunca guardei rebanhos,

Mas é como se os guardasse.

Minha alma é como um pastor,

Conhece o vento e o sol

E anda pela mão das Estações

A seguir e a olhar.

Toda a paz da Natureza sem gente

Vem sentar-se a meu lado.

Mas eu fico triste como um pôr do Sol

Para a nossa imaginação,

Quando esfria no fundo da planície

E se sente a noite entrada

Como uma borboleta pela janela.

 

Mas a minha tristeza é sossego

Porque é natural e justa

E é o que deve estar na alma

Quando já pensa que existe

E as mãos colhem flores sem ela dar por isso?.

 

..E de repente, sinto os espinhos dessas estradas perdidas, rasgando o teu pensamento. Com um sorriso?

 

?Aparecera em mim o meu mestre.

  Então, peguei noutro papel e escrevi a fio a ?Chuva Oblíqua.?

 

Era a resposta de Fernando Pessoa e do seu génio magistral?brilhando no firmamento de um papel.

 

CHUVA OBLÍQUA

 

?Ilumina-se a igreja por dentro da chuva deste dia,

E cada vela que se acende é mais chuva a bater na vidraça...

 

Alegra-me ouvir a chuva porque ela é o templo estar aceso,

E as vidraças da igreja vistas de fora são o som da chuva ouvido por dentro...

 

O esplendor do altar-mor é o eu não poder quase ver os montes

Através da chuva que é ouro tão solene na toalha do altar...

 

Soa o canto do coro, latino e vento a sacudir-me a vidraça

E sente-se chiar a água no facto de haver coro... (?)

 

(?) E apagam-se as luzes da igreja

Na chuva que cessa...?

 

Meu Deus, há tantas pessoas dentro de ti!...

Eu que apenas sei de ti o que me fazes viver? sinto uma enorme admiração. Foi um encontro de almas há muito desejado que se encontra aqui. Foram 30 e tal poemas que passaram voando por mim.

 

?Depois tratei logo de descobrir uns discípulos de Alberto Caeiro. Num jacto, e à máquina de escrever sem interrupção, nem emenda, surgiu a Ode Triunfal de ÁLVARO DE CAMPOS. Parece que tudo se passou independente de mim.?

 

ODE TRIUNFAL

(?) ?Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r-r eterno!

Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria!

Em fúria fora e dentro de mim,

Por todos os meus nervos dissecados fora,

Por todas as papilas fora de tudo com que eu sinto!

Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos modernos,

De vos ouvir demasiadamente de perto,

E arde-me a cabeça de vos querer cantar com um excesso

De expressão de todas as minhas sensações,

Com um excesso contemporâneo de vós, ó máquinas! (?)

 

(?) Ah, poder exprimir-me todo como um motor se exprime!

Ser completo como uma máquina!

Poder ir na vida triunfante como um automóvel último-modelo!

Poder ao menos penetrar-me fisicamente de tudo isto,

Rasgar-me todo, abrir-me completamente, tornar-me passento

A todos os perfumes de óleos e calores e carvões

Desta flora estupenda, negra, artificial e insaciável? (?)

 

E, agora que dizer? Era mais ?um génio? que tu puseste à solta!

 

Criado a partir de Alberto Caeiro, nasceu RICARDO REIS

?Era como um sonho dentro de um sonho?.

Ou, se preferires, ?o Horácio grego que escreve em Português?.

VEM SENTAR-TE COMIGO, LÍDIA, À BEIRA DO RIO.

?Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.

Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos

Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.

                (Enlacemos as mãos).

Depois pensemos, crianças adultas, que a vida

Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,

Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,

                Mais longe que os deuses. (?)

 

(?) Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz,

Nem invejas que dão movimento demais aos olhos,

Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,

                E sempre iria ter ao mar.?

 

?Foi o dia triunfal da minha vida, e nunca poderei ter outro assim? 8 de março de 1914.

Parece que tudo se passou independente de mim.?

 

Chegaste ao fim da exaustão com a alma limpa!

Foram cerca de 13 horas seguidas, em pé, a escreveres na tua velha e fiel companheira? a tua máquina de escrever que está em cima da tua pequena cómoda.

Fernando Pessoa, tu és o meu herói! Contigo, sinto que ser poeta é transcendermos o nosso corpo e, por fim, encontrarmos uma alma de eleição. E o céu tem uma dimensão maior! A tua! Porque a imortalidade está ao teu alcance.

Contigo deixei voar a imaginação?Por isso te digo, desculpa Fernando Pessoa, se nesta conversa ficaram perdidos alguns pedaços de mim.

 

 9 Novembro 2016

 

* aluna da Universidade Sénior de Campo de Ourique

 



Fonte: http://mundopessoa.blogs.sapo.pt/dia-triunfal-de-fernando-pessoa-por-823744

Atravessamos um ano inteiro a trabalhar sobre um mesmo conceito e 12 meses não têm sido demais para pensar sobre bibliotecas ? nas suas várias acepções.

 

A Casa Fernando Pessoa é uma biblioteca, é uma casa de livros e de leitores, a casa onde viveu um leitor genial que nos deixou a sua biblioteca pessoal. Neste momento, a Biblioteca Particular de Pessoa pode ser encontrada em Paris, em exposição na Delegação da Fundação Gulbenkian, em apresentação ao público francês.

 

A partir da mesma biblioteca e das leituras cruzadas que provoca, organizamos um colóquio, a abrir o mês de Novembro, em colaboração com a Universidade de Coimbra: um dia inteiro para investigar A(s) biblioteca(s) de Fernando Pessoa.

 

O maior destaque desta programação recai sobre a terceira edição dos Dias do Desassossego que realizamos com a Fundação José Saramago. Teremos, entre 16 e 30 de Novembro, um conjunto de programas que reúne música, leituras, arte urbana, espectáculos para crianças, um projecto com o Estabelecimento Prisional de Lisboa, mesas-redondas sobre a promoção da leitura, sobre o prazer da leitura e sobre Ricardo Reis ? que aproxima os patronos destas duas casas de Lisboa.

Na apresentação de livros veremos o regresso de Ritual sem Palco de Manuela Nogueira, uma segunda edição pedida pelos leitores; uma muito cuidada nova edição de Mensagem; e a antologia da revista Apócrifa que há quase 3 anos descobre e dá espaço a novos poetas.

 

A Acesso Cultura volta à Casa Fernando Pessoa para em boa hora debater o elitismo e nós saímos de Casa para marcar presença no Clube dos Poetas Vivos no Teatro D. Maria II: Miguel Cardoso em Novembro e Manuel de Freitas em Dezembro.

 

Para fechar o ano, o ciclo Sem casas não haveria ruas terá uma edição especial feita por adolescentes e a nossa oficina de natal para a infância ? Lápis, papel ou tesoura? ? vai ser feita na vizinha Padaria do Povo. As inscrições já estão abertas!

 

Acolhendo diariamente visitantes que chegam de cada vez mais cidades, a Casa Fernando Pessoa está a desenvolver um novo plano museológico para tornar a sua visita uma experiência mais completa e estimulante. Teremos, em breve, novidades para lhe dar.

Clara Riso · Directora da Casa Fernando Pessoa



Fonte: http://mundopessoa.blogs.sapo.pt/12-meses-a-trabalhar-sobre-o-conceito-823244


Amanhã voltamos à poesia que se faz agora e ao Clube dos Poetas Vivos, no Teatro Nacional Dona Maria II. Com Miguel Cardoso, às 19h00, vamos ouvir poemas e o poeta a conversar com Teresa Coutinho.

Esta semana temos também encontro marcado no nosso Clube de Leitura. No Ir à Estante continuamos a ler juntos e em voz alta O Livro do Desassossego. Oferecemos chá, bolinhos e o prazer de ouvir o texto.

Quinta-feira, dia 10, ao fim do dia, voltam os poemas à Casa Fernando Pessoa Ritual Sem Palco, livro de poesia de Manuela Nogueira, sobrinha de Fernando Pessoa, que também aqui viveu.

Entretanto, estamos em contagem decrescente para os Dias do Desassossego. Este ano, voltamos a juntar-nos à Fundação José Saramago para trazer os livros e a leitura ao centro dos nossos dias, cruzando-os com diferentes linguagens artísticas. O programa todo já está disponível e pode ser consultado aqui.

Encontrará motivos para o nosso encontro na programação da Casa Fernando Pessoa para Novembro e Dezembro. O tempo passa depressa. Vemo-nos por cá?

 

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Fonte: http://mundopessoa.blogs.sapo.pt/poemas-no-teatro-nacional-d-maria-ii-822924

Uma obra literária resulta da experiência de vida do escritor, das obras que leu, a sua enciclopédia pessoal. Pretende-se neste colóquio relacionar aspectos da obra de Fernando Pessoa com a ideia de biblioteca (e de ?código bibliográfico?), com a sua biblioteca material, acolhida na Casa Fernando Pessoa, mas também com uma mais vasta biblioteca virtual, constituída pelas obras que sabemos que leu e com as quais dialogou.

Em colaboração com Centro de Literatura Portuguesa da Universidade de Coimbra/Programa de Doutoramento em Materialidades da Literatura.

Com António Apolinário Lourenço, Clara Rowland, José Manuel González Herrán, Osvaldo Silvestre, Pedro Sepúlveda, Abel Barros Baptista, Giorgio Casara, Luís Filipe B Teixeira, Rita Catania Marrone.

 

Programa completo disponível aqui

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Fonte: http://mundopessoa.blogs.sapo.pt/as-bibliotecas-de-fernando-pessoa-822708

Estreou ontem no São Luiz Teatro Municipal ZULULUZU, um espectáculo do Teatro Praga que recria a passagem de Fernando Pessoa por Durban. À semelhança de outros espectáculos da companhia, traz uma PROPS: um objecto criado para a ocasião que, como um adereço que sai de cena, funciona como o que fica além do palco.

A PROPS de ZULULUZU é um jornal, FO'SHO e será apresentada na Casa Fernando Pessoa no dia 20 de Setembro.

Está quase a começar o Fólio: o Festival Literário Internacional de Óbidos decorre de 22 de Setembro a 2 de Outubro. A Casa Fernando Pessoa está presente com a exposição Utopia: Saramago e Pessoa, de que somos parceiros. Inaugura a 24 de Setembro, às 16h00. 

No mesmo dia 24, celebramos na Casa as Jornadas Europeias do Património. Associamo-nos com duas visitas gratuitas: às 11h30, visita guiada em inglês, e, às 15h00, a visita temática (em português) Coelho da Rocha, 16. A lotação é limitada: é mesmo necessário marcar. 

Vemo-nos em breve?



Fonte: http://mundopessoa.blogs.sapo.pt/pessoa-em-durban-exposicao-em-obidos-e-822384

Setembro é mês de regressos. Regressamos por isso ao contacto com novidades sobre o Serviço Educativo da Casa Fernando Pessoa até Dezembro.

O nosso ponto de partida é a palavra, é o texto - a literatura, a poesia - de Pessoa e de outros autores, e assim desenvolvemos propostas para públicos com diferentes expectativas, idades e áreas de interesse.  

Oficinas, vistas temáticas e outras actividades, a programação dos próximos meses do Serviço Educativo da Casa Fernando Pessoa pode ser consultada através deste link.

CPF Servic¦ºo Educativo Prog SET-DEZ16 Facebook.

 



Fonte: http://mundopessoa.blogs.sapo.pt/o-ponto-de-partida-e-a-palavra-no-822237

Entre Setembro e Outubro, tanto a programação como o espólio da Casa Fernando Pessoa vão atravessar fronteiras de diferentes tipos: chegam a vários países, cruzam áreas artísticas, ouvem diversas línguas. Actores, artistas visuais, poetas e tradutores tomam parte no programa destes dois meses: exposições, um espectáculo, as habituais conversas sobre livros, as leituras desses textos. Uma muito especial apresentação em França está marcada para 4 de Outubro. Grande parte dos livros que compõem a Biblioteca Particular de Pessoa, o espólio mais valioso da Casa, viaja para a galeria de exposições da Fundação Gulbenkian em Paris para integrar o Festival de l?incertitude [Festival da incerteza]. Paulo Pires do Vale comissariou o programa sobre o papel da utopia na nossa cultura e nele cabe bem a profusão de temas, autores, notas à margem e sublinhados que fazem a particularidade e o valor imenso da Biblioteca de Pessoa.

ZULULUZU é o novo espectáculo do Teatro Praga que vai buscar os anos de Pessoa em Durban, na África do Sul, para discutir certos lugares-comuns sociais e políticos, ao mesmo tempo que volta a questionar a mecânica do próprio teatro. Apresentado no Teatro Municipal São Luiz, aqui será feita uma conversa satélite sobre o lugar de Pessoa nesta discussão. De outros lugares vêm e de outras línguas se fazem os dois livros que vamos apresentar: Misteriosamente Feliz, do poeta catalão Joan Margarit, traduzido por Miguel Filipe Mochila, e Teoria do Um, vol. II de Mordechai Geldman, uma tradução do hebraico feita por João Paulo Esteves da Silva. Autores presentes e leituras nas várias línguas. Por fim, regressamos, como se faz nesta época do ano, aos programas regulares e às colaborações habituais: voltamos ao Clube dos Poetas Vivos, no Teatro D. Maria II, com Matilde Campilho; e recebemos o ciclo Sem casas não haveria ruas que vai trazer, muito a propósito, o tema da nossa recorrência: bibliotecas pessoais, leituras cruzadas, em particular Os livros que Pessoa leu.

Clara Riso · Directora da Casa Fernando Pessoa



Fonte: http://mundopessoa.blogs.sapo.pt/nestes-dois-meses-a-programacao-e-o-821894

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Já está em distribuição o folheto com a programação da Casa Fernando Pessoa para Setembro e Outubro. Encontre-o pela cidade de Lisboa, ou passe pela Coelho da Rocha, 16, para recolher um exemplar.  

Um bom motivo para vir até aqui será a Visita Temática Almas Pares, sobre Pessoa e Sá-Carneiro, na tarde de Sábado, 10 de Setembro. 

Ou, dias depois, voltar connosco a O Livro do Desassossego, em leitura no nosso Clube. O programa Ir à estante regressa à regularidade quinzenal a partir de 14 de Setembro. 

Encontre mais informações sobre estas duas propostas e ainda muitos e bons motivos para regressar à Casa Fernando Pessoa ou aos nossos programas Fora de Casa aqui

Vemo-nos por cá? 



Fonte: http://mundopessoa.blogs.sapo.pt/a-seguir-setembro-e-outubro-na-rua-e-na-821672

A primeira quinta-feira de agosto é a quarta do programa Vive Sem Horas, a nossa parceria com o Hot Clube de Portugal. Sempre às 19h00, sempre às quintas, em Julho e Agosto, temos Jazz na Esplanada. 

Agosto é mês de Sem casas não haveria ruas na Casa Fernando Pessoa, desta vez na esplanada Flagrante Delitro. Hatherlyana é o título desta sessão, no sábado dia 6, às 17h00. 

Aqui pode encontrar informações detalhadas sobre estes programas.

Vemo-nos por cá, até breve.



Fonte: http://mundopessoa.blogs.sapo.pt/a-seguir-na-casa-fernando-pessoa-vive-821291

À minha querida mamã

 

Eis-me aqui em Portugal

Nas terras onde eu nasci

por muito que goste delas

ainda gosto mais de ti.

(26-07-1895)

 

Maman, Mamanm, oú allons nous

Ma belle maman?

 

O semblante sonhador daquele menino sério, parecia envolto numa aura de mistério... É que no seu olhar brilhava, de vez em quando, uma gotinha do mar que se espreguiçava pela sua cara, devagar. Assim como uma lágrima, percebem?

- Pronto! Já passou Fernando, já passou!...

Isto, disse-lhe a maresia que lhe fazia uma festa carinhosa na sua carinha rosada.

E pronto. Em seu lugar sorria agora a alegria de uma criança com vontade de brincar.

O Fernando já tinha sete anos e uma grande imaginação. Assim, começou logo a brincar às cinco pedrinhas com um amigo que viajava no seu coração. E que só ele via.

Já o acompanhava desde Lisboa a vinte de janeiro de 1896, quando embarcou naquele navio que se chamava Funchal e que o deixou na ilha da Madeira. Era no oceano Atlântico!

O Fernando ia com a sua mamã adorada e o querido Tio Taco, que gostava muito dele. E depois, quando deixaram a Madeira já iam num navio muito grande que se chamava SS Hawarden Castle que tinha saído da cidade inglesa de Southampton. O seu destino era Durban, uma cidade que se situava no país que é hoje a Africa do Sul, onde os esperava o seu novo Papá.

Tanto mar que aquele menino ainda tinha para desvendar...

- Olha, são tão bonitos. E tantos!!... São os golfinhos a brincar. Parecem jogar às escondidas. Fazem o pino no seu saltar mais engraçado. São tantas acrobacias no ar! Muito bem!! (e bateu palmas)

Hi, hi, hi, com a cabeça a abanar eles disseram que sim, que sim, que sim. Hi, hi, hi e lá foram embora.

- Está na hora de ir estudar porque a Mamã está a ensinar-me francês, inglês e muitas coisas mais. É como se estivesse na escola.

Maman, Maman, je t?aime beaucoup.

Hoje o céu estava azul acinzentado. Parecia que naquela nuvem escura estava a nascer uma tempestade.

- É melhor ir estudar lá para dentro senão a Mamã fica preocupada comigo.

E quando o jantar acabou, o barco já balançava, balançava, para cima e para baixo. Era assustador! Na caminha quentinha, o Fernando olhou para a Mamã que lhe sorriu com ternura. Para o menino parecia que o mar tinha acalmado e que a trovoada fugia em debandada.

...Tão diferente do ?Sino da minha aldeia? que era calmo e alegre.

Bem, o melhor é fechar os olhos e adormecer.  Talvez quando acordares os trovões e os relâmpagos já se tenham ido embora.

No dia seguinte, o Fernando voltou ao convés do navio. O céu estava muito azul. O sol brilhava, tão quentinho. Aquecia a alma. Em redor só se via mar. Já não havia voltar...

Estavam no oceano Índico ?O mais misterioso de todos?. Nisto, ouviu-se o grito de uma gaivota que voou com alvoroço, até ficar mesmo ao lado do Fernando.

- Olá (disse a gaivota com o seu piar mais profundo). Como te chamas?

- Chamo-me Fernando. Fernando Pessoa, e sou de Lisboa, em Portugal. Vieste conversar comigo?

- Claro, o que achas? E a tua Mãe onde está?

- A Mamã está ali sentada naquela cadeira a ler. Mas eu sei que ela está sempre a tomar conta de mim.

- Pois sim, pois sim. Desculpa. Que eu agora...

...e abrindo as asas de repente voou para muito alto, deu um salto e aí vem ela veloz...zzzzzzzzzzzz...plááááázz! Trazia no bico um peixe grande que engoliu apressadamente...glup, glup!

- Eu sei que não é bonito falar com o bico cheio mas...glup. Gluuuup! Já engoli. Agora já tenho a barriga cheia.

A tarde foi passando e eles sempre a conversar até que chegou a hora da gaivota ter de voar.

- Adeus Fernando acho que vais ser uma Pessoa muito importante para o mundo.

- Achas?!...(o Fernando riu feliz)

Diz-me o coração que eles ainda se vão ver. Talvez no futuro. Talvez num poema ?Quando a alma não é pequena?.

No outro dia o menino acordou muito bem disposto. Tomou o pequeno almoço, conversou com a Mamã e o Tio Taco e depois foi estudar com a Mamã que ensinava tudo muito bem. Daí a pouco tempo chegariam a Durban e Fernando Pessoa iria entrar, em Março, na St. Joseph Convent School.

Lá fora, tendo o sol como um convite à brincadeira, ele empunhou uma espada imaginária, e lá começou a lutar ?O Sonho é ver as formas invisíveis?.

Seria com o ?Chevalier de Pas? esse seu maior amigo imaginado? Eu não sei, e tu?

 

Chevalier de Pas.jpeg

 

 

 

Então, viveram aventuras de grandes heróis, lutando com a sua espada no ar.

?En garde?! Zás, tráááz, tráááz e zááás.

?Vennez?! Tráz, zás, tráz, záááás.

?Touché?! Venci!! Disse o Fernando a gritar de contente.

Fingindo que estava muito cansado sentou-se a olhar o mar imenso. Já era Fevereiro, depressa iriam chegar a um novo mundo.

Ele já tinha passado pela Cidade do Cabo, por Port Elizabeth (Algon Bay) e ainda por East London. No fim, o seu destino seria Natal, em Durban.

Tinha de ser forte. Estudar muito para ser o melhor. Tinha tantos sonhos!... Nisto, começou a ouvir-se plic, plic, depois plóc, plóc, plic, plôôôônc. Pronto, já estava a chover. Plônc, plic, plooc.

- Vou mas é lá para dentro porque está mais quentinho e não fico molhado.

Mais tarde, quando voltou cá para fora, ele viu bem perto, as baleias. Eram tão grandes! Splash...Brincavam e saltavam como uma flecha que se envolve no mar. Eram tão bonitas com aquela grande barbatana, deslizando suave a indicar-lhe o caminho. Livra! Não é que agora, mesmo junto ao barco, apareceram dois tubarões com um olhar sinistro. E os dentes muito aguçados pareciam querer triturar.

- A mim não. Estou cá em cima. Bem longe de vocês.

O Fernando não imaginava que os tubarões queriam dizer-lhe, e não sabiam como, estas palavras:

- Luta. Estuda muito e vencerás!

Que maravilha. Afinal o menino entendeu tudo. Para si próprio, o Fernando, confirmou com convicção: Já não sou um menino. Sei que quero escrever. Sim, eu quero ser escritor. Quero ser poeta! Quase um profeta, num infinito de lugares mágicos que darei a conhecer ao mundo, com a mesma coragem. E para vocês crianças, irei dizer

 

 

O sol.jpeg

 

 

 

 

 

 

 

 

?Ao anoitecer brincamos às 5 pedrinhas

No degrau da porta da casa,

Graves como convêm a um Deus e a um Poeta,

E como se cada pedra

Fosse todo um universo

E fosse por isso um grande perigo para ela

Deixá-la cair no chão.?

 

 

 

Este, e tantos, tantos, outros poemas, muito belas, que um dia, tenho a certeza, irás gostar muito de ler.

 

Fim desta história: O Fernando tinha acabado de chegar a Durban ? em meados de Fevereiro de 1896.

Ainda hoje e no futuro, Fernando Pessoa continuará a ser um grande poeta. Único e Universal.

 

?Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.?

 

Já sei, já sei. Vocês querem saber quando é que nasceu Fernando Pessoa?

Nasceu no dia de Sto. António. A 13 de junho de 1888.

 

Nascimento.jpeg

 

 

 

Helena Feital

Junho 2016



Fonte: http://mundopessoa.blogs.sapo.pt/a-minha-querida-mama-por-helena-feital-820509

Ainda há vagas para a oficina no Jardim da Estrela, nas próximas semanas: Modernista, modernista, vais ter um Verão de artista!, um conjunto de actividades para crianças em férias.

Seguem as quintas-feiras de Jazz na Esplanada, com o programa Vive Sem Horas, a nossa parceria com o Hot Clube de Portugal, às 19h00, para os quentes fins de tarde.

No sábado, dia 30, às 15h00, a visita temática é Almas Pares, sobre a relação entre Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro. 

Aos doutorandos que trabalham sobre Fernando Pessoa, reforçamos o apelo para o call for papers: 31 de Agosto é o prazo para enviar propostas para o Congresso Internacional a realizar em Fevereiro de 2017.

Vemo-nos por cá, até breve.

 

 



Fonte: http://mundopessoa.blogs.sapo.pt/vive-sem-horas-almas-pares-ainda-um-820993

Quinta da Regaleira

 ?Onde a Magia anda no ar.

 

 

?Do vale á montanha                                                                     

Da montanha ao monte,

Cavalo de sombra,

Cavaleiro monge,

Por casas, por prados

Por quinta e por fonte,

Caminhais aliados.?                                                                

 

poço.jpg                                                                             Fig. 1 - Poço Iniciático

                                                                                                                              

E foi aliados nesta visita inesquecível que partimos por caminhos cheios de magia onde céu, terra e água se encontram num lugar enigmático e sobrenatural.

Logo à entrada tivemos como guia o Dr. António Silvestre que aliava à grande simpatia, um conhecimento vasto e profundo sobre a Quinta da Regaleira e os segredos ocultos nos seus bosques. E, claro, também sobre o Palácio.

Esta propriedade foi adquirida em 1840 por António Augusto de Carvalho Monteiro que, nessa época, a comprou por 25 contos de reis.

Carvalho Monteiro tinha como inspiração um espaço grandioso onde vivesse rodeado pelos símbolos dos seus interesses e ideologias. Ele queria evocar o passado mais glorioso de Portugal, daí a predominância do estilo Neomanuelino com a sua ligação aos descobrimentos e ainda pela arte gótica e alguns elementos clássicos.

Entre 1898 e 1900 dá-se inicio á construção do parque com o edifício dos cocheiros sob os planos do arquiteto cenógrafo italiano, Luigi Manini.

O simbolismo oculto da Quinta da Regaleira é enriquecido com temas esotéricos relacionados com a Alquimia, Maçonaria, Templários e Rosa Cruz.

 

 

Quanto a nós, eis-nos chegados à mitologia clássica que nos dá as boas-vindas na Álea dos Deuses composta pelo alinhamento de estátuas dos deuses Greco-Romanos: Fortuna, Orfeu, Vénus, Flora, Ceres, Pã, Dionísio, Vulcano e Hermes. E ainda, terminando, temos a Estátua do Leão que representa o sol que equivale na alquimia ao ouro.

E quando olho em volta para as árvores frondosas e muitas delas, raras, vejo as plantas de flores luxuriantes e?pareceu-me que tu, Fernando Pessoa, também estavas ali ?Cavaleiro Monge? deslumbrado pelo bosque que vai sendo progressivamente mais selvagem até chegar ao topo da Quinta, bem lá no cimo, onde o céu lhe dá abrigo.

E a nossa aventura continua ao vermos a Torre da Regaleira, construída para dar a quem sobe a ilusão de se encontrar no eixo do mundo. Nela vemos os símbolos Manuelinos sobre os descobrimentos dos portugueses.

Logo depois?que lindo este som cristalino! Que pureza há na música d´água caindo em cascata naquele lago. Era o Lago da Cascata. E continuamos, mais e mais sentido o mistério que nos conduz até ao Poço Iniciático ? uma escadaria em pedra de 27 metros de profundidade, toda em espiral, sustentada por colunas esculpidas por onde se desce até ao âmago da terra ? o fundo do poço. Constituída por 9 patamares separados por lances de 15 degraus, cada um invocando referencias à ?Divina Comédia? de Dante e que podem representar os 9 círculos do inferno, do paraíso ou do purgatório. Quando por fim chegamos ao fundo do poço o nosso olhar encontra, embutida em mármore, uma Rosa dos Ventos (estrela de 8 pontas) sobre uma cruz templária que é o emblema heráldico de Carvalho Monteiro e, ao mesmo tempo, indicativo da ordem Rosa Cruz.

O poço diz-se iniciático porque se acredita que era usado em rituais de iniciação à maçonaria. O poço evoca conotações herméticas e alquímicas. Identifica a relação entre a terra e o céu. A saída é feita através de várias galerias ou tuneis, mas só uma nos levará até à luz: ao lago que marca o nosso caminho para o outro lado através das pedras que nos levarão ao simbolismo da redenção. As outras galerias vão dar a outros pontos de grande interesse na Quinta. Quanto a ti, Fernando Pessoa, sei que passaste para a luz na glória da tua obra incomparável.

Mas o poço também quis testar a nossa resistência às provações do tempo. Com a chuva acumulada pela terra, a água caía pelas rochas como uma chuva de verão que caía sobre o nosso corpo. Pelos degraus que pisávamos, também ela nos mostrava o caminho, como se fosse um pequeno ribeiro a saltitar de contente pelas suas maldades. Para nós, foi uma descoberta que vencemos.

Pelo caminho exuberante que nos leva ao Palácio, vemos a beleza da Gruta de Leda ? a Deusa da justiça divina. Esta composição escultórica é subordinada ao tema ? Leda e o Cisne. Celebram os amores de Leda com Zeus, o Cisne que fecunda Leda. A lenda refere que a pomba que Leda segura na mão simboliza o Espirito Santo. As 3 gerações que estão no centro dos elementos maçónicos representam a Força, a Sabedoria e a Beleza.

Depois encontramos a bela Capela da Santíssima Trindade que tem elementos maçónicos como ?O olho de Deus?. A magnífica fachada está centrada no revivalismo gótico e manuelino.

Nela estão representados Santa Tereza de Ávila e Santo António. No meio, a encimar a entrada, está representado o Mistério da Anunciação ? o Anjo Gabriel desce à terra para dizer a Maria que ela vai ter um filho do Senhor Deus Pai.

No interior do altar vê-se Jesus depois de ressuscitar a coroar uma mulher. Do lado direito, Santa Tereza e Santo António, desta vez, apresentados em painéis de mosaico. Do lado oposto, um vitral lindíssimo, apresenta-nos o milagre de Nossa Senhora da Nazaré a D. Fuas Roupinho. No chão estão representadas a esfera armilar ou globo celeste e a Cruz da Ordem de Cristo rodeada de pentagramas (estrelas de 5 pontas).

E por fim, chegamos no aconchego acolhedor do Palácio. O edifício principal é marcado pela beleza estética da torre octogonal. Toda a exuberância da decoração interior do Palácio pertence ao arquiteto José da Fonseca.

Comecemos pelo alpendre: a caprichosa ornamentação evoca a epopeia dos Descobrimentos Portugueses e o arquétipo da viagem: A seguir entramos na sala de jantar, com uma lareira monumental, rematada pela escultura do monteiro e onde sobressai o tema da caça. Da policromia do mosaico veneziano, às mísulas da abóbada, transparece o tema do ciclo da vida.

E eis-nos chegados à ?Sala dos Reis?, a antiga sala de bilhar onde estão representados 20 reis e 4 rainhas da monarquia portuguesa e, também, os escudos das cidades de Braga, Porto, Coimbra e Lisboa. Sobre a lareira encontra-se hoje o antigo brasão de Sintra. Aos pisos superiores não fomos. Já era tarde.

Quando regressávamos a Lisboa, durante momentos, ouviu-se o silêncio de cada um de nós, como se estivéssemos revivendo a magia daquele lugar onde Fernando Pessoa foi tantas vezes.

Lembro o final do seu poema sobre a Regaleira, escrito em 24-10/1932.

 

?Do vale à montanha,

Da montanha ao monte

Cavalo de sombra,

Cavaleiro monge,

Por quanto é seu fim,

Seu ninguém que o conte,

Caminhais em mim?.[1]

 

[1] Helena Feital

No final de Maio de 2016

 

Fonte bibliográfica: ANES, José Manuel, Os jardins Iniciáticos da Quinta da Regaleira. Lisboa: Ésquilo, 2007.



Fonte: http://mundopessoa.blogs.sapo.pt/quinta-da-regaleira-onde-a-magia-820928

Coelho da Rocha, 16 - 11Jul2016 14:39:26

Fernando Pessoa nasceu, viveu e morreu em Lisboa. A visita Coelho da Rocha, 16 convida os visitantes a conhecer os múltiplos lugares da cidade pessoana, começando e terminando naquela que foi a sua última casa e a sua última rua.

 

Ou seja, o convite é para conhecer os sítios de Pessoa, sem sair das imediações do número 16 da Rua Coelho da Rocha. Uma visita de e com Luís Miranda (equipa de Museologia e Património da Casa Fernando Pessoa).


Este sábado, 16 de Julho, às 15h00. 

Duração: 90 minutos. Marcação prévia. Lotação limitada, 5? (com descontos).

 

 

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Fonte: http://mundopessoa.blogs.sapo.pt/coelho-da-rocha-16-820324

Em Julho e Agosto, a Casa Fernando Pessoa volta a combinar jazz e Verão e traz à esplanada Flagrante Delitro diferentes nomes e sons do jazz de Lisboa, numa repetida colaboração com o Hot Clube de Portugal.

Um convite para as horas largas do fim de tarde, em formato intimista, com duos que atravessam as várias gerações dos músicos de jazz portugueses.

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Fonte: http://mundopessoa.blogs.sapo.pt/vive-sem-horas-jazz-na-esplanada-820205

Amanhã, 12 de Julho, no auditório da Casa Fernando Pessoa é lançado O Fio e o Labirinto - A Ficção Policial na obra de Fernando Pessoa, de Ana Maria Freitas, publicado pelas Edições Colibri.

A sessão é de entrada livre e com a participação de Fernando Cabril Martins, Manuela Parreira da Silva e Richard Zenith.

 

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Sinpose:

A escrita policial de Fernando Pessoa ocupa um importante lugar na sua obra, pela atenção que o autor lhe dedicou durante décadas, lendo, teorizando e escrevendo. O interesse por este popular género literário manifestou-se cedo, ainda na fase da sua vida em que o inglês era a língua de escrita preferida, com a criação de Tales of a Reasoner, o conjunto dos casos do Ex-Sargeant Byng. Mais tarde, já em português, Pessoa criou o raciocinador Abílio Fernandes Quaresma, cujos casos formam o conjunto com o título Quaresma, Decifrador. O presente ensaio analisa a especificidade do conceito de policial desenvolvido, centrado em Quaresma, uma figura talhada como personalidade literária. Observa ainda a área ficcional da obra de Fernando Pessoa e todo o edifício literário construído em torno do policial.

 

«Um dos poucos divertimentos intelectuais que ainda restam ao que ainda resta de intelectual na humanidade é a leitura de romances policiais. (...) Um dos volumes de um destes autores, um cigarro de 45 ao pacote, a ideia de uma chávena de café ? trindade cujo seruma é o conjugar a felicidade para mim ? resume-se nisto a minha felicidade.»

Era deste modo que Fernando Pessoa descrevia a sua relação com o popular género literário. Levou mais além a felicidade que a leitura lhe proporcionava e escreveu muitas histórias de um policial, pessoano de sua natureza, em que sobressai a figura de Abílio Fernandes Quaresma, decifrador, um ?fantasma a errar em salas de recordações? com poder de se transfigurar pelo raciocínio.



Fonte: http://mundopessoa.blogs.sapo.pt/um-dos-poucos-divertimentos-819954


Nos próximos dois meses não estamos de férias. Veja toda a nossa programação para Julho e Agosto seguindo por aqui.

 



Fonte: http://mundopessoa.blogs.sapo.pt/fora-de-casa-e-na-casa-fernando-pessoa-819181

Numa colaboração com a Junta de Freguesia de Campo de Ourique, o curso de Introdução aos Estudos Pessoanos foi desenvolvido especificamente para a Universidade Sénior de Campo de Ourique e tem o objectivo de apresentar as muitas e variadas facetas de Fernando Pessoa enquanto homem e escritor.

 

Quando conhecemos o Grande Oriente Lusitano pela primeira vez e, em simultâneo, o Museu Maçónico Português, fiquei como que rendida ao peso dos seus ideais de vida, tão complexos e tão difíceis de alcançar. Para escrever sobre esta visita precisei de tempo. Tempo para interiorizar, para refletir e dar voz à grande coragem e abnegação de uma cidadania superior.

 

Um Maçon é guardião dos ensinamentos da escola iniciática ocidental, da escola de democracia (herdeira dos gregos) e da utopia do espírito liberal puritano inglês do sec. XVIII, em suma da Tradição, da Ordem, da Regra e da Lei.

 

O Maçon ama a humanidade, faz o bem pelo amor do próprio bem. E exercita a filantropia, sem se proclamar doador.

 

E comecemos pelos seus primórdios em Portugal. Entre 1727 e 1890 a génese da maçonaria portuguesa que foi o Grande Oriente Lusitano, uma das mais antigas e independentes obediências maçónicas europeias sofreu várias e dolorosas perseguições.

 

Com a Inquisição, Pina Manique ordenou que muitos dos seus membros fossem presos, torturados ou até mesmo mortos. Em 1820 acaba a Inquisição e desta forma, finalmente os maçons podem viver à luz do dia.

 

A maçonaria deve aperfeiçoar os homens, para refazerem o mundo possível, com a condição que seja o que deve ser: melhor e mais fraterno. O seu método para o pensamento, princípios e valores têm como dever a busca da verdade. O papel cívico da maçonaria torna-se muito importante nos séculos XIX e XX, dada a forte influência de sua ação em Portugal:

 

  • A Revolução Liberal de 1820
  • A Abolição da pena de morte e da escravatura
  • A Implantação da República em 1910
  • Deve-se-lhe também a criação do sistema de jurados.

 

A sua ação cívica é enorme, tendo como papel preponderante a defesa dos homens e dos seus direitos. Acabar com as desigualdades sociais e, através das suas obras filantrópicas, dar mais força à Liberdade, à Cidadania e à Democracia. Acabar com a exclusão social e dar à educação um papel fulcral na sociedade. Aliás, a educação sempre foi uma das maiores preocupações da maçonaria numa ética universal dos direitos humanos.

 

Ao longo dos tempos o Grande Oriente Lusitano edificou a Academia das Ciências de Lisboa e deu origem a várias escolas primárias (e secundárias) como a do Conde de Ferreira. No séc. XVIII, por causa das perseguições, comunicavam por um alfabeto em código que era composto por nove (quadradinhos) divisões com pontinhos e sem pontinhos. Tão simples como uma máquina de escrever (secreta...) que está em exposição no Museu Maçónico.

 

Sim, a maçonaria deixou marcas profundas na nossa sociedade, seja pelos métodos de avaliação, experimentação ou co-educação, caso da antiga Escola Marquês de Pombal em Lisboa e da Vasco da Gama no Porto.

 

Métodos, equipamentos e trabalhos que são espelho de uma escola de vanguarda e inovação, conjugando a teoria com a prática. As crianças são valorizadas, ao mesmo tempo que lhes são ensinados os valores da liberdade, da igualdade, da fraternidade e da tolerância.

 

O amor é muito importante nas obras sociais. E foi através desse ideal maçónico que foi fundado o Orfanato de S. João e muitos outros mais. Criaram a Associação dos Inválidos do Comércio e um sem número de outras ações sociais importantes.

 

Quando se estreou a Assembleia Nacional, do ponto de vista legislativo, o deputado Sr. José Cabral apresentou em 19 de Janeiro de 1935 o projeto de lei para acabar com as ?associações secretas?.

 

Opondo-se veementemente a esse projeto, Fernando Pessoa, que não era maçon, escreveu, em 04 de Fevereiro de 1935, um artigo no Diário de Lisboa, em defesa dos direitos e liberdades da maçonaria, com especial destaque para o Grande Oriente Lusitano.

Desse longo artigo lembro dois parágrafos...

?Existem hoje em actividade em todo o mundo, cerca de seis milhões de maçons, dos quais cerca de quatro milhões nos Estados Unidos e cerca de 1 milhão sob as diversas Obediências independentes britânicas. Assim cinco sextos dos maçons hoje em actividade são maçons de fala inglesa. O milhão restante, ou coisa parecida, acha-se repartido pelas Grandes Obediências dos outros países do mundo, das quais a mais importante e influente é talvez o Grande Oriente de França. As obediências maçónicas são potencias autónomas e independentes.

....

A maçonaria compõe-se de três elementos: o elemento iniciático, pelo qual é secreta; o elemento fraternal e o elemento a que chamarei humano ? isto é, o que resulta de ela ser composta por diversas espécies de homens, de diferentes graus de inteligência e cultura e o que resulta de ela existir em muitos países, sujeita, portanto, a diversas circunstâncias de meio e de momento histórico, perante as quais, de país para país e de época para época, reage, quanto a atitude social, diferentemente. Nos primeiros dois elementos, onde reside essencialmente o espírito maçónico, a Ordem é a mesma sempre e em todo o mundo. No terceiro, a Maçonaria ? como aliás qualquer instituição, secreta ou não ? apresenta diferentes aspectos, conforme circunstâncias de meio e momentos históricos, de que ela não tem culpa. Neste terceiro ponto de vista, toda a Maçonaria gira, porém, em torno de uma só ideia ? a tolerância; isto é, o não impor a alguém dogma nenhum, deixando-o pensar como entender.?

A aprovação do Decreto-Lei nº 1901 de 2 de Maio de 1935 proposto pelo Sr. José Cabral dá a Salazar o poder de forçar os membros maçónicos à clandestinidade ou até mesmo à prisão ou ao exilio político. Desta forma, acabou com o Grande Oriente Lusitano sendo os seus bens confiscados e o Palácio Maçónico ocupado pela Legião Portuguesa.

Com a Revolução do 25 de Abril de 1974, o Grande Oriente Lusitano pôde voltar ?à luz do dia?, tendo-lhe sido devolvido o Palácio Maçónico e sido paga uma indeminização.

Entre os seus membros contam-se figuras de relevo na História de Portugal.

Durante a nossa visita, fomos à Biblioteca repleta de livros importantes para o conhecimento do que é a maçonaria e o que representa ser maçon. Lá estava, num livro pequeno, o artigo de Fernando Pessoa, com o agradecimento da maçonaria.

Ficámos despois a conhecer algumas das simbologias dogmáticas dos maçons e passámos a ver, detalhadamente os 4 elementos do vestuário que são importantes para os maçons:

  • A Joia que normalmente é de metal mas também pode ser em papel ? é distintiva do grau da pessoa: grão-mestre, secretário, guardião, etc. Cada um tem a sua joia especial.
  • O Avental bordado em seda ou em algodão.
  • A Espada ? que significa a nobreza.
  • As Luvas Brancas ? como proteção.

 

Nas funções iniciáticas não há ?trabalho?. Há o Sonho e o Esforço. A ordem de trabalho na Maçonaria chama-se Prancha

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Templo Maçónico

 

A maçonaria construiu o seu templo à imagem do Templo de Salomão.

Os símbolos maçónicos são o triângulo com o Olho de Órus. E o esquadro, normalmente com um braço maior do que o outro. Tem também o compasso. Esquadro e Compasso são as 3 Luzes Maiores.

O Templo Maçónico é o lugar sagrado dedicado às liturgias próprias. Ao entrarmos no Templo vemos que, do lado norte, não há colunas. As colunas internas são as colunas de construção do Templo de Salomão.

  • Dórica (coluna da Força/da Luz)
  • Jónica (coluna da Sabedoria)
  • Coríntica (coluna da Beleza e Luz)

O lado norte das colunas é destinado aos Aprendizes. O lado sul, aos Companheiros e Mestre. Os graus de um maçon são de Vigilante (Venerável que desempenha um cargo importante, porque já teve lugar de mestre). O Irmão Guarda-Interior é quem abre a porta da loja e pede identificação, palavra passe e idade.

A hierarquia maçónica começa pelo Aprendiz. Depois passa a Companheiro. E no cargo principal está o Grão-Mestre. Para os maçons a divindade maior é o Grande Arquitecto do Universo.

As proporções áureas do templo são-nos dadas pelos quadrados pretos e brancos no solo ? os quadrados, simbolizam luz e trevas. A posição dos pés e das mãos é tudo simbólico (ângulo reto, simboliza o triângulo). A 4ª coluna normalmente secreta, é a coluna da Luz e Sabedoria.

Ser maçon é como viver num Universo único e universal.

Depois desta visita, penso que todos nós, professor e alunos, ficámos mais ricos; em sabedoria e no conhecimento de outras entidades superiores da nossa sociedade.

Até um dia!

                                                                      

                                                                                



Fonte: http://mundopessoa.blogs.sapo.pt/grande-oriente-lusitano-liberdade-818882

Verão na Casa Fernando Pessoa - 29Jun2016 17:10:32

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Esplanada, Jardim da Estrela e até uma casa fora da Casa.                    
A programação deste Verão convida a sair. E a entrar. Uma residência artística, jazz na esplanada e oficinas no jardim ? e a Casa Fernando Pessoa de portas abertas.

O folheto com a nossa programação para Julho e Agosto já está na rua. Se não encontrar noutros locais, venha visitar-nos e saber da nossa agenda para os dias mais quentes. 

 

 

 



Fonte: http://mundopessoa.blogs.sapo.pt/verao-na-casa-fernando-pessoa-818453

CALL FOR PAPERS

 

A Casa Fernando Pessoa encontra-se a preparar o próximo Congresso Internacional Fernando Pessoa, que irá decorrer nos dias 9, 10 e 11 de Fevereiro de 2017, na Fundação Calouste Gulbenkian (Auditório 2), em Lisboa.

 

Este Congresso procura abrir espaço para apresentar propostas de investigação recentes e inovadoras em torno da obra de Fernando Pessoa.

 

O Call for Papers destina-se exclusivamente a doutorandos. Serão apenas aceites propostas de investigadores que estejam a preparar o seu Doutoramento, associados para esse efeito a uma instituição académica, e que à data do envio da proposta não possuam ainda o título de Doutor.

 

Os interessados em participar deverão enviar, até 31 de Agosto de 2016, a sua proposta para o endereço congressointernacionalfp@casafernandopessoa.pt, indicando no assunto do email: Call for Papers ? proposta.

 

As propostas serão avaliadas pela Comissão Organizadora formada para esta edição do Congresso Internacional Fernando Pessoa e composta por Antonio Cardiello, Mariana Gray de Castro e Pedro Sepúlveda. Serão avaliadas de forma anónima ("blind review").

 

Mais informações aqui.



Fonte: http://mundopessoa.blogs.sapo.pt/congresso-internacional-fernando-pessoa-818380